Tudo se iniciou com a Aimée Semple McPherson, que nasceu em Ingersoll, Ontário, Canadá, aos 9 de outubro de 1890, como Aimée Elizabeth Kennedy e é a fundadora da denominação evangélica The Foursquare Church (Igreja do Evangelho Quadrangular).
Conversão:
Uma noite ela foi para seu quarto, determinada a achar uma solução para suas dúvidas. Sem acender a lamparina, ajoelhou-se em frente à janela aberta, onde contemplava a paisagem branca toda coberta de neve e pensou: “Certamente deve existir um grande Criador que fez tudo isso”. De repente, ergueu os braços para o céu e clamou: “Ó, Deus, se é que há um Deus, revele-se a mim”. Aimée acreditava que o Pai Celestial responde as orações de todos os que estão em desespero. Pelo menos, respondeu sua oração antes da meia-noite seguinte.
Depois das aulas, ela saiu
andando pela rua com seu pai e notou um aviso no salão de Missões, que
dizia: “Reunião de Avivamento com Robert Semple, evangelista
irlandês. Todos são bem vindos”. O pai de Aimée sugeriu que entrassem, e
ela aceitou sem discutir, pois notícias desse reavivamento
haviam chegado ao seu conhecimento e a curiosidade a impulsionava a
estar ali. Tudo era interessante, os cânticos animados, todos
cantando e levantando as mãos.
A
seriedade tomou conta do semblante de Aimée ao ver o evangelista
entrar com a Bíblia debaixo do braço, sua mensagem borbulhava
com um humor claro e sadio. “Leiamos Atos 2:38-39”, disse Robert.
“Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus
Cristo para remissão dos vossos pecados e recebereis o Dom do Espírito
Santo”. Aimée jamais ouvira um sermão desses, e o sermão de
Robert dividiu o mundo dela em dois. Então, o pregador passou a falar
do Espírito Santo e, de repente, a falar numa língua
desconhecida. Mas Aimée entendia perfeitamente o que Deus estava
dizendo: “Você é uma pecadora, perdida, miserável, merecedora
do inferno!”. Aquela noite mudou a vida de Aimée. Jamais alguém disse
tamanha verdade a ela. Uma convicção genuína a envolveu e ela
sabia que havia um Deus e que ela era uma pecadora.
Aimée
tentou fugir, procurando se distrair das palavras do evangelista nas
danças e músicas de jazz por três dias. Mas numa tarde de
dezembro de 1907, no caminho de volta para casa, Aimée não conseguiu
resistir. “Deus, tenha misericórdia de mim, uma pecadora”,
então, tudo mudou, uma grande paz invadiu a sua alma e sentia a
presença de Deus ali pertinho quando chegou em casa. “Naquele
momento, levantei a tampa do fogão e queimei minhas sapatilhas de
dança, minhas partituras de jazz e meus romances. Meu pai quis
saber o que estava acontecendo, então eu expliquei: Converti-me e não
preciso mais dessas coisas!”.
Busca pelo Espírito Santo:
Daí por diante, Aimée passou a buscar a presença de Deus. Não perdia tempo para orar e ler a Bíblia. Diz Aimée que, quando orava, falava com Cristo, e quando lia a Bíblia, Ele falava com ela. No entanto, chegou o dia que esta serenidade foi abalada ao analisar: O Senhor dá tudo e eu só recebo. O egoísmo é um traço de caráter abominável. Senhor, que posso fazer em troca? Aimée busca resposta na Bíblia “... o que ganha almas é sábio e... resplandecerá como as estrelas sempre e eternamente”. É como se uma voz poderosa falasse em tom de clarim: “Agora que você foi salva, vá, ajude a salvar os outros”.
Orando
de joelhos, Aimée, em sua imaginação, viu um grande rio, veloz e
impetuoso, tragando milhares de pessoas em sua correnteza e
levando-os à morte. Então, disse: “da mesma forma como eu fui
resgatada, deveria estender minhas mãos para todos quantos
pudesse alcançar, a fim de trazê-los para um terreno seguro. Estaria
disposta a cruzar o continente de joelhos só para resgatar um
pobre pecador. Mas, como posso fazer isso? Eu, que sou filha de
fazendeiro e moro a quilômetros da cidade? Como posso almejar
ganhar almas um dia? Além disso, só os homens têm permissão para
pregar”.
Muitas
indagações surgiram na mente de Aimée sobre o ministério da mulher.
Tentou encontrar resposta com sua mãe para muitas delas. No
entanto, foi na Bíblia que ela descobriu que Débora, uma mulher, havia
comandado esplêndidos exércitos. A mulher, junto ao poço,
pregou o primeiro sermão de salvação e levou uma cidade inteira a
Cristo. E em meio a tanto desejo de pregar a Palavra de Deus,
Aimée não desistia de quem a pudesse ajudar e, numa noite, quando
voltou para casa, encontrou sua mãe examinando a Bíblia para
responder suas perguntas. “Minha querida, descobri que os dons de Deus
jamais foram cancelados. A promessa é para todos quantos o
Senhor nosso Deus chamar”. Assim, Aimeé pensou na passagem bíblica:
“Nos últimos dias o Espírito Santo será derramado sobre toda
carne, vossos filhos e filhas profetizarão... ... Então, eu
também buscarei a plenitude do Espírito”.
Certa
noite, enquanto Aimée estava na casa de um vizinho com duas crianças
que tinham apanhado febre tifóide, a porta se abriu e Robert Semple, o
evangelista, surgiu diante dela. Um impulso de alegria a
envolveu. Robert havia chegado de Stratford e, sabendo que as crianças
estavam doentes, foi até lá em visita. Naquela noite as
crianças tiveram os dois como enfermeiros. Aimée e Robert conversaram
por algum tempo a respeito das cartas que trocavam, do batismo com o
Espírito Santo que ela havia recebido, e do grande desejo que
ela tinha de ser ganhadora de almas. Ao olhar os livros espalhados
sobre a mesa Robert, deparou-se com o de geografia e ele, folheando
as páginas, abriu no mapa do Oriente, dizendo: “A China será o
meu desafio, meu destino e meu alvo”. Aimée suspirou. “Gostaria de
dedicar a minha vida a uma causa como esta”. E foi justamente
sobre isso que Robert desejava falar com ela. A voz do homem que a
ganhara para Cristo atravessara sua fantasia. “Sei que tem apenas 17
anos, mas eu a amo de todo o coração. Já que vai completar 18
em breve, quer se casar comigo e ir para a China?” Aimée ficou olhando
estarrecida para ele. O rosto honesto não conseguia falar, mas
um desejo irreprimível de ajudá-lo nasceu em seu coração. Ela sabia
que o amava profundamente, amava seu ministério, seu Cristo, seu
ensino, sua mensagem. Não foi preciso responder imediatamente.
Aimée logo aceitou Robert, que falou com seus
pais, pedindo consentimento. De maneira simples e franca tiveram sua
bênção e em 22 de agosto de 1908 se casaram. Segundo Aimée,
ele foi o seu Seminário Teológico, seu mentor espiritual, seu marido
terno, paciente e dedicado. Para ajudar no salário como evangelista,
Robert trabalhou numa fábrica de caldeiras. Os dias melhoraram e
ele foi chamado para Londres, Ontário e Chicago. Ele trabalhava
incansavelmente para Deus e Aimée fazia as tarefas menores,
cuidava da casa, tocava piano e orava com os convertidos. “Vamos para a
China em seis semanas”, anunciou Robert certa noite. A situação
preocupara a jovem esposa, que se via partida, sem a tutela de
uma organização missionária, sem dinheiro, sem nada. Apenas a fé e a
confiança que Robert tinha no Senhor.
Ao pregarem numa igreja de italianos, ao se despedirem foram
surpreendidos com ofertas em dinheiro, cheques, ouro etc. Quando
chegaram em casa, a soma deu para as passagens e um pouco mais.
Durante uma viagem para a Irlanda, logo antes de irem para a missão na
China, Aimée conta ao marido que está grávida. Após passarem na
Inglaterra, onde Aimée fez sua primeira pregação para 15 mil
pessoas, numa igreja de um milionário conhecido de Robert. A oferta do
dia foi oferecida ao casal para a missão na China. Lá chegando,
ficaram algum tempo num importante trabalho e foram treinados para
tarefas específicas. O povo era místico, o sol escaldante e a
língua difícil, além dos camundongos e dos rituais.
Em
determinado momento, os dois contraíram malária tropical. Apesar de
ainda doente, Aimée se preocupava com o marido que estava no hospital e
queria manter-se informada sobre ele. Aimée se mantinha
acordada, vigiando sobre a cama de Robert. Em vigília no hospital, a
enfermeira caminhou na direção de Aimée. “Levante-se depressa,
ponha o robe e os chinelos”. Tremendo como uma folha de papel, Aimée
sentia que Robert estava morrendo, e gritava, de algum modo sabendo que
gritaria. Nesse mesmo momento, os braços fortes do Senhor a
envolveram e ela sussurrou com os lábios endurecidos: “O Senhor o deu
para mim e da mesma forma o tomou. Bendito seja o nome do
Senhor”.
Início do ministério:
Na
primeira campanha em Mount Forest, em 1915, Harold McPherson mandou um
telegrama para Aimée pedindo que ela voltasse para casa, mas ela não
aceitou. Ele, então, veio ao seu encontro e, ouvindo uma de
suas pregações, reconheceu o chamado de Deus na vida dela,
estimulando-a a continuar.
Tempos depois, decidindo voltar para a América, o navio com
Aimée foi deixando a linha costeira da China, levando ela e sua filha
com apenas 13 semanas. Ela pensava que agora teria que
decidir tudo sozinha, procurar bons amigos de Robert, buscar uma
orientação para sua nova vida. Fez, então, sua primeira viagem
transcontinental em 1918, atravessando o continente em seu carro que
portava duas frases: “Carro do Evangelho” e “Jesus voltará,
prepare-se”. Estava acompanhada pelo casal de filhos, sua mãe e
uma secretaria. Entre 1918 e 1923 realizou 38 campanhas, em 1922 o seu
ministério tornou-se internacional por conta de uma campanha
realizada na Austrália.
Neste mesmo ano, na
Califórnia, quando pregava sobre a visão de Ezequiel 1:1-8, Aimée foi
inspirada a denominar o seu ministério de “Quadrangular”. No
dia 1 de janeiro de 1923, foi inaugurado o templo sede internacional
Angelus Temple, com capacidade para 5 mil pessoas. Aimée dirigia 21
cultos por semana. Nos primeiros meses, 7 mil pessoas se
converteram a Jesus. Trinta e três dias depois, foi inaugurado o
Instituto de Treinamento Evangelístico e Missionário e uma
sala de oração, consagrada e tendo como base o versículo “orai sem
cessar”. Em 6 de fevereiro de 1924 consagrou a primeira rádio
pertencente a uma igreja nos Estados Unidos e a terceira
emissora em Los Angeles, a KFSG. Aimée também foi autora de vários
livros, 105 hinos e 13 operas sacras.
Dificuldades pessoais e ministeriais:
Com
a morte de Robert Semple, Aimée começou passar por dificuldades
financeiras e também necessitou dedicar mais tempo à filha, pois estava
com a saúde fragilizada. Seus problemas pessoais cada dia
mais dificultavam sua vida ministerial e em meio a tantas dificuldades
pessoais e ministeriais, Aimée aceitou casar-se com Harold
McPherson. Seria a oportunidade de reconstruir um lar seguro para ela e
para sua filha, e também de desenvolver o seu ministério com
mais tranqüilidade.
Durante algum tempo, Harold passou por dificuldades
financeiras. Foi quando Aimée começou a arrecadar ofertas para o
Exercito de Salvação e, com isso, conseguiu ajudar nas
despesas da casa. Nesse período, ela engravidou, e quando o filho Rolf
McPherson nasceu teve que parar de trabalhar. Começou a
dedicar-se aos filhos e à rotina do lar, porém, não estava feliz,
porque o intenso chamado de Deus e o dever com a família, a fizeram
cair num estado de depressão, adoecendo gravemente e sendo
hospitalizada. Aimée pedia a cura para Deus, mas a cada pedido ouvia o
Senhor dizendo: “Tu irás? Pregarás a palavra?”. Mas somente
depois de um ataque repentino de apendicite, que a levou a 5 cirurgias
num mesmo dia, ela ouviu a voz do Senhor: “Agora tu irás?”; e
quase sem forças, Aimée respondeu: “Sim, Senhor, eu irei”.
Em
15 dias, Aimée estava totalmente recuperada, mas não se sentindo forte
a ponto de entrar em discussão com seu marido e sogra quanto ao seu
chamado, resolveu deixar Harold e partir com os filhos,
voltando para o ponto de origem: o Canadá. Era, 1915, quando Aimée
encontrou total apoio dos pais, que se ofereceram para cuidar
de seus filhos. Aimée participou de um encontro Pentecostal em
Ontário, onde teve um novo encontro com Deus, iniciando o seu
ministério no Canadá. Embora, na época, ser raro uma pregadora
na obra de Deus, Ela foi respeitada e aceita pelos sinais que Deus
operava por meio de sua vida.
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